Gana, Já Sinto Sua Falta
Adeus Kumasi… não sei por quanto tempo. Mas espero poder voltar um dia. O povo é realmente do bem. Nossa, de quantas coisas vou sentir falta… E já sinto! O restaurante Sir Max, onde eu e meus colegas (agora amigos) costumávamos passar nossas noites jantando maravilhosos pratos ganenses ou libaneses. O delicioso Killy Willy (um tipo de batata doce de Gana). O fried plantain (essa mesma batata só que frita na versão salgada)…

Até mesmo o Twi, língua local. Aprendí várias palavras:
Maache: bom dia
Maha: boa tarde
Eta sain?: tudo bem?
Ayee: tudo
Mee da se: obrigado
Bibia boco: tudo ficará legal
Nkunimdie: vitória
Me pacho: por favor
Kacra kacra: um pouquinho
Além da língua, eles têm um sotaque cantado que encanta. Os longos “aaaahãs”, igual nós falamos para concordar com algo, são muito característicos e engraçados! Outras coisas também vão apertar a saudade: o aperto de mão com um estalo no final, para mostrar descontração e amizade, as lagartichas coloridas, as poderosíssimas mulheres ganenses com seus bebês amarrados às costas e as gigantescas cargas sobre a cabeça. Uma lista sem fim. Você pode ver algumas destas coisas em vídeo aqui: https://www-146.ibm.com/corporateservicecorps/node/230
Mas do que eu mais vou sentir falta será das pessoas. Dá uma olhada no pessoal que compartilhou comigo essa linda experiencia:
Ariane: Trabalha na IBM França há 24 anos. Executiva e muito bem sucedida, ainda encontra tempo para educar seus dois filhos e liderar um clube de astronomia.
Christian: Também pai de dois filhos, consultor de TI na IBM Dinamarca, curte passar seu tempo livre esquiando com a familia e também adora umas balinhas salgadas, sim, salgadas, que são feitas lá na terra dele.
Flora: Espanhola e advogada, sem dúvida uma das pessoas com quem mais me conectei. Conhecida dos artistas famosos (uns 10 pelo menos) ela vive com seu leque pra lá e pra cá. Uma fofa.
Folake: Nigeriana. Eu votaria nela com certeza para presidente. De idéias fortes e excelente personalidade. Me ensinou a dançar no rítmo nigeriano… até o chão!
Erica: Sempre de bom humor, mesmo quando o mundo estava caindo. Disposta sempre a ajudar e mente aberta. Canadense e de bem com a vida!
Probal: É do tipo “direto ao ponto”. Indiano e gerente de um time grande de consultores ele realmente nos fez dar boas risadas com seu jeito todo especial de ser.
Sherif: Incrível pessoa. Engraçadíssimo. De tudo ele tirava uma piada. Mas também quando falava sério era para tocar o fundo da alma. 25 anos de IBM, executivo e egípcio, um paizão para a turma.
Subram: Tem uma serenidade dínga nos grandes yogas da India. Não é por acaso que teve a oportunidade de conhecer o grande Dalai Lama. Dono das melhores “caras e bocas”, sempre tinha uma conclusão harmonica para todas as situações.
Bom… realmente queria dedicar este post para essas excelentes pessoas e para Gana, por me acolherem como parte da “familia”.
Neste momento quero apenas dizer que, depois de um mês e uma semana, confesso que vai ser difícil voltar ao rítmo de São Paulo. Antes de viajar meu irmão me disse: “Katia só te peço uma coisa… volta!”. Isso porque ele tinha um certo receio que eu quisesse ficar por lá para salvar o mundo. Olha, deu vontade. Mas tem tanto para fazer pela minha terra que, neste momento, faz mais sentido investir meus neuronios e músculos por aqui.
Você pode ler mais sobre os resultados do projeto Corporate Service Corps aqui:
https://www-146.ibm.com/corporateservicecorps/blog
Fotos e mais fotos aqui: http://www.flickr.com/photos/22514487@N07/
Maha, etasain?
Rei. Lago. Música nigeriana. Comida indiana. Morcegos. E tudo isso em apenas 4 dias! As maravilhas de Gana continuam a me surpreender. Vou contar um pouquinho sobre cada um dos tópicos acima, mas antes disso vale ressaltar que atravessamos a marca dos 15 dias aqui em Kumasi, e que nos resta menos do que isso para finalizar o projeto. Já bate uma certa tristeza de ter que deixar tudo isto, mas ao mesmo tempo uma alegria de poder voltar para casa perto das pessoas amadas.
E ai? Estão preparados? Sexta-feira foi um dia incrível. Pela manhã fomos ao Palácio do rei Asante Hene, que é nada mais nada menos do que o rei Ashanti, aqui, da região de Kumasi. Estava tudo aparentemente acertado para nossa visita. Primeiro passamos pelo Museo Ashanti, para conhecer um pouco da história. Aqui e por todos os lados posso notar a forte valorização e prática da cultura ganense, o respeito pelos mais velhos, a importancia do cumprimento (o título deste texto significa boa noite, como está você? em Twi), entre outras coisas que deixaram de ser tão praticadas no Brasil (mas deveriam). Espero trazer um pouco desta cultura para casa. Estavamos todos na maior expectativa, mas ao invés do rei, acabamos conhecendo o principe. Sim. Parece que o rei estava indisposto e não pode nos receber. Como diriam aqui mesmo em Gana: WAWA (West Africa Wins Again) – ou seja, aqui na África do Oeste não tem muito jeito, as coisas mudam da água pro vinho em questão de minutos. Em poucas palavras, a experiencia foi interessante mas frustrada pelo objetivo primário, que era apresentar o projeto para o rei.
Fomos para o escritório da ATAG para uma reunião de alinhamento com o parceiro, mas o mais interessante foi que, na saída, perto de 18:30, presenciamos um espetáculo para poucos: milhares e milhares de morcegos voavam sobre nossas cabeças em direção ao parque para “jantar” frutinhas. Foi uma cena à nível de Discovery Channel.

Durante a noite a história mudou. Foi a primeira (e possivelmente única) noite que saimos para dançar. Fomos a uma danceteria local chamada Kieraviv, muito bacana. A música era incrível. Sons africanos mixados com hip hop, entre outros. Lá aprendí novos passinhos ganenses e nigerianos. É um suingue muito diferente, requer equilíbrio e força, e vc desce quase até o chão de cócoras e depois levanta! Muito étnico! Vai fazer o maior sucesso no Brasil, rsrsrs. Como estávamos cansados, ficamos bem pouquinho e na hora que começou a lotar decidimos ir para o hotel.

No sábado fomos fazer um tour cultural por Kumasi. Visitamos 3 villages (povoados) e pudemos comprar coisas muito bacanas e típicas, como as famosas máscaras de madeira talhada, Kente (tecido típico ganense) e muito mais. Após os villages era suposto que fossemos almoçar num resort a beira de um lago chamado Botswamte. Mas acabamos pegando informação errada e fomos parar numa estradinha péssima e acabamos fazendo um almojanta do lado do lago… você entende… WAWA!
Obruni. Essa é a palavra em Twi para “gringo”. Ouvimos isso durante todo o dia sábado e mais um pouco domingo. Para completar o final de semana, pela primeira vez comí comida indiana (há 2 indianos no time de IBMistas). Amei! Muito curry, cordeiro, lentilhas… mmmmmm! Se não provou ainda, recomendo!
Bom, amanhã vai ser um dia muito importante e preciso me recolher. Mas antes disso, queria deixar alguns ítens caso no futuro esteja pensando em se candidatar para este ou outro programa de voluntáriado com enfase em negócios. Espero que aproveite as dícas!
· Estamos em uma constante entrevista. Pensar duas vezes antes de falar é imprescindível.
· Jogo de cintura é fundamental. Na África você não consegue prever nem seu próximo minuto.
· Teamwork e networking. A convivência aqui é total. Não há quase tempo de privacidade. E esse tempo de socialização é muito importante. Aproveite!
· Aprender com mebros do CSC. Todos os professionais do grupo são Seniors. Pedir críticas do projeto e vice-versa torna seu aprendizado mais rico.
· Conhecer bastante a cultura local. Até cansar! Raras serão as vezes que poderemos ter acesso – durante um mês – a outras realidades tão diferentes da nossa.
· Não ser excessivamente task oriented. O projeto com o cliente é muito importante, mas não pode tomar a totalidade do seu tempo.
· Dedicar tempo para conhecer a história das pessoas. Num almoço por exempli, prefiro sentar próximo a alguém ganense para trocar experiências, já que os IBMistas vejo todos os dias.
· CALMA: O cliente pode não estar aberto para mudança. Monte seu projeto tendo em conciência que o cliente é o dono da decisão final. Não force a barra.
· Faça as perguntas certas e mostre as ferramentas para que seu cliente escolha o caminho. Consultoria é isso. Não mais do que isso.
Tenho postado também alguns textos no blog oficial do Service Corps (em inglês), se der tempo dá uma passada por lá: https://www.adtech.internet.ibm.com/corporateservicecorps/countries/ghana
Uma Mistura de Bahia com México
Você já teve aquela sensação de ainda estar sonhando enquanto acorda? Imagine ter essa mesma sensação todos os dias! É assim que me sinto durante as manhãs aqui em Kumasi (Gana), graças à oportunidade de fazer parte desta mágica experiência.

Isto está sendo grandioso para mim em todos os aspectos. O aprendizado é inunterrupto. Seja me preparando para sair com nossos parceiros, fazendo uma refeição, ou mesmo conversando com o povo ganense e meus colegas, tudo é novidade.
Como este é o primeiro post no meu blog pessoal (o blog oficial você encontra aqui) preciso contar um pouco sobre minhas primeiras impressões em Gana. Kumasi – a segunda maior cidade de Gana – tem uma semelhança impressionante com o nordeste brasileiro. A temperatura é quente e humeda o dia todo, as feições são parecidas, até mesmo o espírito ganense tem aquele toque bahiano que só quem já foi para lá iria entender o que estou tentando explicar. Ao mesmo tempo, eles têm um estilo bastante semelhante ao mexicano. A pimenta está presente em quase todos os pratos típicos, eles costumam dormir em qualquer lugar e são muito calmos, educados e simpáticos. Uma mistura que de certa forma dá certo.

Já posso adiantar que, um dos pontos fortes do projeto é a interação com o time IBM. Estas pessoas são profissionais top de linha, com vasta experiência nas mais diferentes áreas, conhecedores de cultura geral e vidrados em esporte e entretenimento! Wow. No inicio cheguei a ficar preocupada se conseguiria acompanhar o rítmo. Agora estou mais tranquila, pois estamos nos conhecendo melhor e encontrando as áreas de interesse comum.
O que vocês não vão mesmo acreditar é o meu atual local de trabalho. Estamos provendo consultoria para uma ONG de nome Aid to Artisans Ghana (ATAG), que tem o objetivo de suportar a indústria de artesanado ganense. “Nosso escritório” fica localizado no Centro Cultural de Kumasi, um belo parque arborizado, com pequenas casas decoradíssimas e repletas de artesanado e pintura. Uma dessas casas é o escritório da ATAG. É uma delícia poder trabalhar de lá todos os dias. Nada de prédios cinzentos, poluição e stress. Só o transito é realmente bem parecido com São Paulo.
Nosso projeto é bastante ambicioso, eu diria. Temos o objetivo de entregar um plano de negócios, 2 workshops e material multi-mídia para propósitos estratégicos e institucionais até dia 22 de Outubro, quando faremos os wrap-ups. Estamos correndo contra o tempo. A indústria tem sofrido quedas nos últimos anos e nossa missão é ajudar a levantar a barra novamente, para que novas familias possam ter meios de se sustentarem através da arte.
Cada dia me pergunto se realmente mereço estar aqui. Sem dúvida esta experiência é uma das coisas mais importantes da minha vida. Não quero conquistar o universo, mas talvez pegar algumas estrelas e deixá-las aqui em Ghana para iluminar este povo, que, assim como muitos outros, precisam tanto desta luz.
Então, nos falaremos em breve! Aguarde o próximo post
O Primeiro Grande Sonho se Faz Realidade
Uma das grandes emoções na vida é a realização de um sonho. Pode-se dizer que realizamos sonhos dos mais humildes aos mais ambiciosos. Há sonhos que acreditamos que iremos realizar a curto, médio e longo prazos, e nos surpreendemos ou nos frustramos quando nossas expectativas não são atendidas.
Eu tive a felicidade recente de ter um dos meus grandes sonhos realizado, muito antes do que o planejado. Já me disseram uma vez que “a oportunidade é surda e sorrateira, ela passa atrás de você na ponta do pé, e uma vez que passou, não adianta chamar, pois ela não escuta”. Eu vi a oportunidade, e seguindo esse conselho, abracei, e cá estou, pronta para ajudar a fazer deste mundo um lugar mais agradável para se viver.
E você deve estar se perguntando… que sonho é esse que pode causar tamanha tranformação? Não é novidade para ninguém a situação que se vive hoje no continente africano. A maior parte dos paises avaliados em extremo estado de pobreza pela ONU se encontram na África. As doenças estão aniquilando milhares de indivíduos, e junto com elas as milícias do tráfico, testes ilícitos de companhias farmacéuticas, trabalho escravo, entre outros. Isso sem mencionar o grave problema de corrupção política que dificulta a implementação de programas que provoquem melhorias reais. Onde quero chegar com isto? Nos últimos anos sinto um desconforto enorme com relação a mim como indivíduo, classe média, empregada, amada pela minha família, namorado e amigos, gozando de cada dia com tranquilidade e paz de espírito, enquanto a pouco menos de 2 meridianos de distância uma população inteira de mais de 300 milhões de pessoas encontra-se em extremo sofrimento. Mas… o que fazer quando se tem 25 anos de idade, coragem, determinação mas quase nada de economias? Há poucas respostas viáveis para esta pergunta.
Mas quando eu menos esperava, um comunicado interno da IBM (empresa onde trabalho) anunciando um novo projeto global de cidadania corporativa - o Corporate Service Corps (CSC) – cujo objetivo seria justamente desenvolver economias emergentes através de trabalho voluntátio, surgiu em minha tela de computador. Algo que parecia tão distante tornáva-se palpável! O programa aborda 3 regiões geográficas em expansão: Asia, África e Leste Europeu. Logo selecionei África como meu destino. Havia pouca informação sobre a missão, que incluía 1 mês de permanência na região escolhida, dando consultoria de negócios a pequenos e médios empreendimentos locais, para ajudá-los a ter uma agenda de desenvolvimento sustentável. Um propósito nobre, digno de uma empresa preocupada com o futuro da humanidade.
O fato impressionante é que era uma sexta-feira, e no dia seguinte estaria saindo de férias… não iria ligar o computador por 10 dias, e a fase de inscrição finalizava em 5 dias! Com uma pitada de sorte, eu preenchia todos os requisitos da fase de seleção (mais conhecida como “peneira”) e pude contar com o consentimento e suporte de ambas minhas gerentes na época (mais uma vez: obrigada).
Mais do que nunca desejei que aquilo se concretizasse. Retornando de férias tive a satisfação de descobrir que havia sido convocada entre os 6 finalistas para uma última entrevista que iria selecionar os 3 participantes do Brasil. Apenas 3 participantes!! Fiz o possível para preparar o discurso mais sincero possível sobre minhas aspirações e motivos de ser uma das pessoas certas para o CSC naquele momento. E voilá! O anúncio saiu e eu era um dos nomes. Bipti Bopti Bú. Meu desejo se tornou realidade.
Há muito agora a ser feito. Muito estudo, colaboração com meus colegas de trabalho e principalmente muito foco e dedicação para construirmos um projeto vencedor para as empresas para as quais iremos trabalhar em Kumasi – Ghana. Mas a cada dia me sinto mais completa e realizada, podendo de forma tão significativa fazer uma pontinha de diferença nas vidas destas pessoas. E vamos em frente! São projetos como estes que movem montanhas e fazem deste mundo um lugar melhor para as futuras gerações que estão por vir.
E fica a sugestão: Estejam sempre preparados para realizar seus sonhos e principalmente: não tenham medo e arrisquem até a medida do possível. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

