Imaginei um Grande Círculo…
Durante o almoço falamos sobre a importância dos valores para a humanidade, já que são ferramentas que tornam possível nossa coexistência. A conversa nasceu de uma discussão previa sobre os círculos viciosos do poder e da corrupção. Concluímos que, com a ajuda de alguns valores já pré-estabelecidos no senso comum, criamos uma armadura que nos proporciona a coragem com a qual encaramos os conflitos diários, e dá ao caos uma aparência harmônica.
Buscando entender melhor as bases para a histórica corrupção humana, fomos buscar explicações nos nossos antepassados primatas. O homo sapiens devia fazer parte daquele grupo de macacos mais “espertos”, que evoluiu mais rapidamente por conta da criação de um modelo social baseado em valores, onde os mais velhos e experientes impunham a submissão e obediência aos mais novos, para proteger a espécie. E assim evoluímos dentro desse círculo vicioso, que foi sendo ampliado de geranção em geração.
Nessa noite, ainda inquieta com a conversa, pensei: “Mas como a humanidade realmente chegou a este ponto? Porque não conseguimos até hoje estabelecer um modelo social construtivo e benéfico para todos? Seremos inerentemente destrutivos?”.
Voltando a analisar nossos antepassados, lembrei da da primeira partícula* que deu início a tudo que conhecemos hoje na Terra; o fator crítico da teoria da evolução de Darwin. Partindo da premissa dos círculos viciosos, associei essa partícula ao ciclo de vida dos seres humanos, que inicia com o espermatozóide chegando ao óvulo. A Terra é, assim como o óvulo, rica em elementos propícios para a proliferação de vida. A estrutura inicial da Pangéia** se transformou dramaticamente em períodos que duraram milhões de anos, por conta do poder dessa partícula. Novas formas de vida foram criadas e extintas nos últimos 200 milhões de anos. Um organismo tão dinamico e tão misterioso quanto o do próprio ser humano. Consequentemente, temos MUITO a aprender com nosso próprio planeta (que é digamos de passagem, bem mais “experiente” do que nós neste universo).
Construi emfim minha argumentação para voltar a discussão com meus colegas na manhã seguinte. Tudo está interligado por correntes magnéticas e de energia. Não seremos nós também parte de algo maior? Um grande círculo vicioso? A final, nascemos, crescemos, nos reproduzimos e morremos. Especialistas da astronomia dizem que o universo segue também o mesmo padrão. Outras fontes “menos cientificas” também apontam para esta teoria dos círculos viciosos universais. Jesus Cristo, é um exemoplo. Ele insistia na existência da trilogia divina: Pai-Filho-Espírito Santo. Ele pregou que todos nós procedemos da mesma origem (Deus) e nosso destino é o mesmo também (Espírito Santo), além de sermos todos irmãos do mesmo Filho de Deus. Já li vários autores apoiando a teoria de que nós humanos, além de outros animais, possuímos uma tal de “consciência coletiva”, ou mesmo que carregamos em nós todo o conhecimento do mundo. Apenas precisamos entrar em contato com nosso inner self para buscar nossas respostas. Outros autores mais místicos dizem que, se interpretarmos os astros, poderemos encontrar respostas relacionadas ao nosso passado, presente e futuro.
Talvez por ainda termos “pouco tempo” de maturidade, a nossa espécie comece agora a entender que as coisas não funcionam separadamente, e que cada decisão, cada escolha que fazemos hoje refletirá de forma dramática no dia de amanhã. Claro que para mim, ou qualquer um dos meus colegas presentes na conversa do almoço do dia anterior, isto não fosse nenhuma novidade, e parecesse mais um blá blá blá de livro de auto-ajuda do que uma grande descoberta. Mas eu prefiro imaginar que este círculo até então vicioso possa se transformar em um grande círculo virtuoso, onde a corrupção e as guerras fiquem para a história da nossa “infância” na escala evolutiva, e nos aproximemos cada vez mais do nosso lado adulto, onde a prosperidade possa ser erguida em valores fundamentais como o respeito e a confiança.
* De acordo com Darwin, o homem não veio do macaco, mas de um ancestral comum a ele. E não há uma espécie menos evoluída e outra mais: todas elas emergem como ramificações de uma grande árvore da vida, esboçada nas anotações do naturalista.
** Estudando-se a mitologia grega, encontramos: Pan, como o Deus que simbolizava a alegria de viver, e Géia, Gaia ou Ge como a Deusa que personificava a terra com todos os seus elementos naturais.
UTOPIA
Juntos voaremos para o futuro,
buscando um sonho que para todos é desconhecido.
Desafiando as leis da gravidade,
flutuaremos pela imensidão do céu.
O sentimento será de paz e felicidade.
Ao aproximar-nos da Estrela,
sua luz nos invadirá com tanta intensidade
que as palavras serão poucas para expressar
o calor que envolverá nossos corpos.
Lá, o poder da união
nos tornará família, e
haverá justiça para todos.
A revolta e o medo desaparecerão e
reinará a igualdade entre nós.
E haverá liberdade para todos,
enfim.
Porque a perfeição pode ou não ser atingida na vida,
ou ser ou não alcançada na passagem desta, para a próxima jornada.
Ou na passagem divina deste universo para outro.
E assim atingiremos a felicidade eterna.
Este é nosso destino.
Está é nossa UTOPIA.
Visões da Origem
No início, existia apenas o Vazio – infinito, inerte e escuro. Todo o Conhecimento, que de certa forma se escondia nos confins deste vazio, em certo momento, começou a emanar ao ritmo das batidas da música do silêncio. A forma pura da Existência gerou neste Vazio um estado de transformação que invadiu toda a sua imensidão.
Ao ritmo da melodia do silêncio, foi-se desenvolvendo uma Consciência plena, e todo o Conhecimento, até então em poder do Vazio, surgiu das trevas, trazendo a Luz. A Luz trouxe para o Vazio a sua nova forma, e iniciou o processo de delimitação dos espaços. Luz e sombra, luz e sombra por toda a imensidão.
As batidas do silêncio continuavam. O Conhecimento, ávido por evolução, quebrou a Luz em cores. Primeiro as cores primárias, depois as secundárias e finalmente as terciárias. A Luz e suas cores percorreram o Vazio a tal velocidade jamais por ele experimentada. No instante em que estes fechos de luz atingiram a sua velocidade máxima, ocorreu a grande explosão: fez-se o Som.
A imensidão se transformou em uma grande tela, salpicada por um sem-fim de estrelas e ruídos, formando o Universo em constante transformação que conhecemos hoje. Estas estrelas possuíam cada uma, uma composição diferente de Consciência.
Mas a Luz não havia ainda encontrado um horizonte onde pudesse descansar suas forças e dar uma pausa ao caos iniciado pelo Conhecimento. E então, ali onde restou uma quantidade equilibrada de partículas de luz, formou-se um mundo sólido, um mundo redondo, que poderia fazer companhia à Luz em seu percurso pela Eternidade. Um planeta chamado Terra.
Junto com ele, graças à Luz, surgiu um ser provido de vida, que ganhou um pedacinho da consciência originada pelo Vazio, e que pode compreender a sua missão na Terra. Ele pode apreciar a beleza das invenções da Luz, ajudando-a a organizar o Conhecimento que acabara de nascer, já que assim como para a Luz, ainda era tudo muito novo. Formaram-se nele os Cinco Sentidos.
O resto da história, nós já conhecemos.
O Mundo Mágico de Ina
Nascida junto às primeiras transmissões de rádio no Brasil, em um período entre-guerras e também cenário da histórica “Semana da Arte Moderna”, Ina é apresentada a todos vocês, por meio deste relato curto, mas sincero.
Em meio à expansão paulistana, ela, perdida e com seus poucos anos de juventude, aventurou-se pelos mais novos arranha-céus da época de 30, em meio à nova Avenida Paulista, em busca de um emprego digno, que arrumou em um dos antigos palacetes daquela que viria a ser a maior avenida empresarial da cidade.
Esforçada e comprometida, se dedicou ao trabalho de governanta, fazendo de seus dias importantes fontes de aprendizado por meio da experiência. Por questões financeiras e necessidade de renda, Ina não teve a oportunidade de finalizar o ensino médio, precisando caminhar com as próprias pernas pelas estradas da vida que a cada posso tornava-se mais competitiva e impiedosa.
A rapidez com que as coisas se tornavam mais cinzas, mais fechadas, mais difíceis, Ina encontrou uma fresta por onde finalmente pode voltar a respirar! Foi por um jardineiro que ela se apaixonou… O homem que lavorava nas proximidades e que cercado de suas samambaias, trepadeiras, árvores e palmeiras, transmitia-lhe uma sensação de liberdade e serenidade.
E com ele aprendeu as magias da terra. Os segredos que fazem com que o milagre da vida possa se concretizar com a mais simples mistura de ingredientes. Já bem cedo, ela mesma começou a colocar em prática suas Receitas Mágicas, que incentivadas pela falta de recursos e curiosidade de uma imigrante européia em terras tropicais, trouxe grandes bem-feitorias!
Firme e forte ela, aos seus 85 anos, carrega o leu aprendizado a todos os cantos em que sua alma cheia de vitalidade pode levar. Ela acredita fortemente que, um dia, cada indivíduo poderá também encontrar o seu jardineiro fiel, seu libertador que o trará de volta para o seio de sua mãe, a Terra.
Chá de Boldo
Ideal para estomago pesado, que não faz a digestão com facilidade. Utilizado também para ajudar no emagrecimento, pois tira a gordura dos alimentos.
Ingredientes
- 9 folhas de boldo
- 1 litro de água
Modo de preparo
Ferva a água, coloque em uma panela pequena e acrescente as folhas. Feche a tampa. Tome o chá durante o dia, em doses regulares.
Água e Luz?
Eram 70 m2 de capim, uma praia maravilhosa, uma oportunidade, um futuro fantástico. E lá estava um mar de sonhos. Como voa a mente do ser humano… de onde vem tanta imaginação? Era um belíssimo terreno à venda. Que tentação! Era tão perfeito que decidimos levar a sério. Cair na real.
Sozinhos não conseguiriamos bancar. E daí surgiram soluções:
- Vamos comprar um trailer e não precisaremos construir!
- Isso! Colocamos uma churrasqueira portátil e está tudo certo!
Quem diria… aquilo que parecia inatingível, começava a tornar-se cada vez mais palpável. E o terreno ficava lá, em um cantinho especial de nossas mentes, esperando que um de nós arrancasse com louvor a enorme placa que dizia: VENDE-SE ESTE TERRENO.
Mas à medida que analisávamos as alternativas, o peso da verdade ia ficando mais incômodo: sozinhos não conseguiriamos bancar.
Veio então aquele que parecia ser o pulo do gato! Vamos enfiar a mão em nossas aplicações e priorizar sobre todas as coisas que haviamos planejado investir nos próximos anos, para ter uma vida digna e tranquila neste terreninho perfeito… mágico… E fazendo os cálculos voltávamos a mesma conclusão: SOZINHOS NÃO VAMOS CONSEGUIR BANCAR.
Foi assim que, desesperados, acessamos nossos grandes amigos do peito, que seriam os parceiros perfeitos para a divisão daquele terreno que tornava-se quase que uma jóia preciosa à qual jamais poderiamos ter acesso. O contato foi breve, via SMS:
70 m2 de capim, uma praia maravilhosa, uma oportunidade, um futuro fantástico.
E o retorno foi ainda mais breve:
Água e luz?
Tão simples quanto isso… o terreno que parecia ser a solução de nossos problemas não oferecia se quer condições básicas para começar a pensar em algo palpável para uma vida a 2. Decidimos que essa idéia ficaria para um outro momento. E decidimos também manter aquela amizade para sempre.

