O Plano do Ano
Eu gosto de planejar. Descobri este meu hobby há alguns poucos anos atrás. Antes disso, eu não planejava muito, quase nada. As coisas iam acontecendo meio que por acaso. Engraçado. Minha vida começou a tomar um rumo que, na época, parecia bacana, mas que percebí depois que não estava me levando a lugar nenhum. O famoso “deixa rolar e vamos ver no que dá” pode funcionar sim, mas para poucos. Normalmente para aqueles que olham apenas para o próprio umbigo. Não digo com isto que o planejamento resolve todos os problemas do mundo, mas é um tanto quanto mais eficaz do que esperar que as coisas caiam no nosso colo de pára-quedas.
Foi um pouco complicado para mim, não só emocionalmente, mas racionalmente falando, quando caiu a ficha de que a vida é curta demais para vivê-la de qualquer jeito. Até hoje penso que todo esse tempo curtinho a vida adoidada poderia ter, sem dúvida, sido gasto em atividades mais construtivas. Quem já não se fez a mesma pergunta? (e se não fez, recomendo!) É claro que, nada acontece por acaso. Hoje entendo essa minha fase como uma transição. Algo que precisava acontecer para que pudesse enxergar o sem fim de oportunidades ao nosso redor.
Estamos em 2009. Século XXI. Vivemos em um mundo globalizado e pacífico (na medida do possível). Temos acesso a um mar de informações gratuitamente via internet. Nunca foi tão fácil planejar… E CONSEGUIR. Não é a toa que livros como “O Segredo” tornaram-se Best Sellers. Afinal, a receita de bolo é nada mais nada menos do que a estrutura de um planejamento eficaz: deseje (defina um objetivo), imagine-se realizando seu desejo (crie a força de vontade), provoque as situações para que aquele desejo se realize (esforce-se, corra atrás), e… nossa! Aquilo que você desejou deverá se realizar. Ah! Não se esqueça de agradecer. A quem? A você mesmo, que planejou e executou tudinho!
Com o passar dos anos, percebi que grande parte das coisas na vida podem ser melhoradas através de um bom planejamento. Tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Basta primeiramente estabelecer um objetivo que siga as regrinhas do SMART:
Specific – Específico
Measurable – Mensurável
Achievable – Realizável
Result oriented – Orientado a resultados
Time constraint – Limitado no tempo
Todo ano faço um exercício que me ajuda a focar meus esforços ao decorrer dos dias. Anoto em um caderno quais são meus objetivos em todas as esferas da minha vida para aquele determinado ano, alguns mais ousados (tem que ter emoção né?), outros mais tangíveis. Mas todos eles em linha com aquilo que acredito que me ajudará a aproveitar meu tempo, neste mundo, da melhor forma possível.
No final do ano faço uma revisão de tudo aquilo que realizei e que deixei de cumprir, e busco entender os porquês das coisas que deram certo e das que não deram. Normalmente, aquelas que não aconteceram foram as que não desejei o suficiente, ou as que não me esforcei para criar as situações para que aquilo se realizasse. Soa familiar?
Bom. Tudo isto até agora pode não ter parecido muito importante para você, já que tem a ver mais comigo. O meu ponto com este texto é o seguinte: se grande parte das coisas na vida podem ser planejadas e realizadas com sucesso, por que não planejarmos em conjunto, para que todos nós, como indivíduos vivendo em sociedade, possamos ter uma vida mais feliz? Para mim, isso faz sentido.
Desconsideremos por alguns instantes os modelos sócio-econômicos, diferenças culturais, políticas, novas tecnologias, ou qualquer fator fora do nosso controle. Quero levantar o ponto sobre o alcance do planejamento para discussão com sua roda de amigos, familiares e colegas mais próximos. Ou seja, começar de dentro para fora.
Será que aquela sua promoção não sairia mais rapidamente se fosse planejada em conjunto com seu gerente?
Será que não daria para comprar aquele apartamento mais facilmente se você planejasse em conjunto com seu gerente do banco?
E aquele grupo de mendigos morando na sua rua? Não faria sentido dialogar com o grupo de moradores do seu bairro para planejar alguma iniciativa que colocasse essas pessoas numa situação melhor?
Alagamentos? Que tal juntar os representantes do município para provocar a mudança e salvar vidas?
Transito? Mobilizaríamos através de um plano a cidade toda para buscar alternativas.
Nota 1 é a média da educação brasileira? Representantes de cada estado poderiam planejar um futuro melhor para nossas crianças.
Fome no mundo? Prêmios Nobel e especialistas seniores se juntariam para planejar o alimento para todos.
Finalmente, eis minha conclusão de próximos-passos:
Primeiro passo: o plano do ano. Comecemos cada um de nós por ai. Não quero excluir a espontaneidade, a sorte (ou o azar), o acaso. Eles devem acontecer sim ou sim. Acho que todos nós buscamos ser felizes no final do dia, e um plano poderá nos ajudar a chegar a esse objetivo, que também pode seguir a regrinha do SMART.
Segundo passo: planejarmos juntos. Acredito que assim chegaremos mais rápido e pelo caminho certo nos nossos maiores sonhos como seres humanos. Quais são eles? Precisamos definir. Eu tenho algumas idéias… e você?