Testes de Medicamentos: Você é a Favor ou Contra?
Imagino que muitos de vocês já tenham assistido ao filme “O Jardineiro Fiel”. Penso que filmes são uma forma simples, rápida e efetiva de se conhecer sobre assuntos importantes para nossas vidas. O Jardineiro Fiel é um verdadeiro exemplo disto que acabo de constatar, pois traz à tona um dos mais complexos dilemas do setor farmacêutico: os testes de novos medicamentos.
Fiquei bastante impressionada com o filme. É evidente que esse problema não ocorre apenas na África. Outros países em desenvolvimento sofrem com este tipo de testes (sem falar nos ilegais). Há casos conhecidos como o que aconteceu em 1996, quando a gigante Pfizer realizou testes do remédio Trovan que acarretaram em 11 mortes (reportadas) de crianças Nigerianas.
O assunto em geral é pouco divulgado na mídia, e decidir se envolver com esse tipo de dilema é extremamente delicado devido ao grande poder da indústria farmacêutica. Para começar a entender a grandeza do setor, pense nos U$ 820 bilhões em faturamento anual previstos para 2009, representando um crescimento de 5,5% comparado com 2008 – de acordo com o relatírio do IMS Health.
Os testes são mesmo uma grande polêmica, já que para se colocar um novo medicamento no mercado precisá-se testa-lo em seres humanos para comprovar sua eficácia e verificar possíveis efeitos colaterais para legalizar seu uso, e estes testes podem levar à morte. Por outro lado, sem novos medicamentos, o combate às doenças que acarrentam em grandes perdas humanas – como a AIDS, tuberculose, malária, diabetes, assim por diante – torna-se muito mais complicado. Mas isto não justifica que os testes devam ser realizados em países com maior índice destas doenças ou com população menos alfabetizada ou carente de recursos financeiros. Para estas pessoas, muitas vezes a possibilidade de consumir estes remédios gratuitamente é sua única esperança de ser curados. Vender esta ilusão é um crime!
O círculo vicioso do capitalismo é no meu ver o grande problema. O poder da demanda versus oferta traz consequencias dramaticas para a saúde do planeta, onde dá-se maior importancia para pesquisa e desenvolvimento de remédios para cavície e emagrecimento, do que para aqueles que realmente fazem a difirença no IDH. E a propaganda e marketing – a pesar de serem áreas às quais me dedico profissionalmente – não combinam com este segmento. Estimular o consumo de determinados produtos não faz sentido. Ao invéz disto, campanhas de concientização criadas e veiculadas pelo setor de saúde e farmaceutico (privado e público) seriam mais eficientes e promoveriam o consumo consciente.
A pouca literatura que encontrei na Web traz alguns estudos sobre recomendações e possíveis soluções para este dilema, onde processos de qualidade e uso consciente são os pontos comuns entre eles. Minha opinião quanto à testes de novos medicamentos é que os mesmos precisam existir para evoluirmos a medicina e finalmente erradicarmos doenças que estão presentes há séculos, mas buscando o bem-estar da humanidade e não com o objetivo de encher os bolsos dos líderes da indústria farmacêutica. Se remédio para AIDS e malária não desse dinheiro, é até possível que essas doenças não estivessem mais entre nós.
Mas não sou nenhuma expert no assunto. Acredito na bondade das pessoas e acredito que o bom-senso irá prevalecer no final. Por isso, discuta com seus parentes, amigos e colegas sobre o assunto e envie suas conclusões para o Ministério da Saúde. Eu já mandei: http://www.siorg.redegoverno.gov.br/index.htm. A final, os representantes do Ministério junto com o corpo médico e empresas relacionadas à saúde são (ou deveriam ser) nossos “sócios” no entendimento dos assuntos polêmicos que merecem atenção e investimento. Será que há no Brasil testes como os ilustrados com tanta maestria por Fernando Meireles em “O Jardineiro Fiel”? Foi este o real motivo de sua inspiração? A final… ele também é Brasileiro.

Mais informação sobre o assunto:
Instituições globais regulamentadoras da indústria farmacêutica:
http://www.globalregulatory.com/
http://hippo.findlaw.com/hippohome.html
Instituições associadas à causa:
Gana, Já Sinto Sua Falta
Adeus Kumasi… não sei por quanto tempo. Mas espero poder voltar um dia. O povo é realmente do bem. Nossa, de quantas coisas vou sentir falta… E já sinto! O restaurante Sir Max, onde eu e meus colegas (agora amigos) costumávamos passar nossas noites jantando maravilhosos pratos ganenses ou libaneses. O delicioso Killy Willy (um tipo de batata doce de Gana). O fried plantain (essa mesma batata só que frita na versão salgada)…

Até mesmo o Twi, língua local. Aprendí várias palavras:
Maache: bom dia
Maha: boa tarde
Eta sain?: tudo bem?
Ayee: tudo
Mee da se: obrigado
Bibia boco: tudo ficará legal
Nkunimdie: vitória
Me pacho: por favor
Kacra kacra: um pouquinho
Além da língua, eles têm um sotaque cantado que encanta. Os longos “aaaahãs”, igual nós falamos para concordar com algo, são muito característicos e engraçados! Outras coisas também vão apertar a saudade: o aperto de mão com um estalo no final, para mostrar descontração e amizade, as lagartichas coloridas, as poderosíssimas mulheres ganenses com seus bebês amarrados às costas e as gigantescas cargas sobre a cabeça. Uma lista sem fim. Você pode ver algumas destas coisas em vídeo aqui: https://www-146.ibm.com/corporateservicecorps/node/230
Mas do que eu mais vou sentir falta será das pessoas. Dá uma olhada no pessoal que compartilhou comigo essa linda experiencia:
Ariane: Trabalha na IBM França há 24 anos. Executiva e muito bem sucedida, ainda encontra tempo para educar seus dois filhos e liderar um clube de astronomia.
Christian: Também pai de dois filhos, consultor de TI na IBM Dinamarca, curte passar seu tempo livre esquiando com a familia e também adora umas balinhas salgadas, sim, salgadas, que são feitas lá na terra dele.
Flora: Espanhola e advogada, sem dúvida uma das pessoas com quem mais me conectei. Conhecida dos artistas famosos (uns 10 pelo menos) ela vive com seu leque pra lá e pra cá. Uma fofa.
Folake: Nigeriana. Eu votaria nela com certeza para presidente. De idéias fortes e excelente personalidade. Me ensinou a dançar no rítmo nigeriano… até o chão!
Erica: Sempre de bom humor, mesmo quando o mundo estava caindo. Disposta sempre a ajudar e mente aberta. Canadense e de bem com a vida!
Probal: É do tipo “direto ao ponto”. Indiano e gerente de um time grande de consultores ele realmente nos fez dar boas risadas com seu jeito todo especial de ser.
Sherif: Incrível pessoa. Engraçadíssimo. De tudo ele tirava uma piada. Mas também quando falava sério era para tocar o fundo da alma. 25 anos de IBM, executivo e egípcio, um paizão para a turma.
Subram: Tem uma serenidade dínga nos grandes yogas da India. Não é por acaso que teve a oportunidade de conhecer o grande Dalai Lama. Dono das melhores “caras e bocas”, sempre tinha uma conclusão harmonica para todas as situações.
Bom… realmente queria dedicar este post para essas excelentes pessoas e para Gana, por me acolherem como parte da “familia”.
Neste momento quero apenas dizer que, depois de um mês e uma semana, confesso que vai ser difícil voltar ao rítmo de São Paulo. Antes de viajar meu irmão me disse: “Katia só te peço uma coisa… volta!”. Isso porque ele tinha um certo receio que eu quisesse ficar por lá para salvar o mundo. Olha, deu vontade. Mas tem tanto para fazer pela minha terra que, neste momento, faz mais sentido investir meus neuronios e músculos por aqui.
Você pode ler mais sobre os resultados do projeto Corporate Service Corps aqui:
https://www-146.ibm.com/corporateservicecorps/blog
Fotos e mais fotos aqui: http://www.flickr.com/photos/22514487@N07/