Mais um Passo Rumo à Felicidade

Maio 13, 2008 at 2:46 am (Uncategorized)

Pesquisas revelam que as pessoas felizes são em geral consideradas mais sociáveis, flexíveis, criativas e capazes de suportar as frustrações diárias com maior facilidade do que as infelizes. E, o que é mais importante, considera-se que sejam mais amorosas e dispostas ao perdão do que as infelizes.

É a partir desta constatação, fruto do trabalho de Howard C. Cutler e o Dalai Lama – reconhecido líder espiritual tibetano – que gostaria de trazer à tona algumas analises que dizem respeito aos recentes acontecimentos entre China e Tibete.

Foi publicado hoje, dia 12.05.2008, que a China deverá anunciar em breve uma data para retomar conversas formais com representantes do Dalai Lama sobre a questão da autonomia do Tibete. Retomando rapidamente a primeira constatação deste texto, percebemos que existe uma forte disposição de Dalai Lama para superar sua maior frustração (o exílio forçado de seu país) e negociar termos que proponham uma melhor qualidade de vida para seus conterrâneos.

Para quem desconhece a história deste grande homem, pode não compreender a magnitude suas intenções, frente ao conflito que há anos a China e o Tibete enfrentam. Conforme o lado budista, a China mantém prisioneiros tibetanos e promove “reeducação patriótica”, o estudo forçado dos “valores” da China e, em casos extremos, envia condenados por crimes de “incitação das massas” ou “rebeldia” a campos de trabalhos forçados. Podemos entender estas ações como violações explícitas aos direitos humanos, conforme declarações das diversas ONGs trabalhando pela causa.

E o quê podemos tirar de tudo isto? Por meio de certa disciplina interior, podemos sofrer uma transformação da nossa atitude, de todo o nosso modo de abordar e encarar a vida. Em geral, começa-se identificando aqueles fatores que levam à felicidade e aqueles que levam ao sofrimento. Depois desse estágio, passa-se gradativamente a eliminar os que levam ao sofrimento e a cultivar os que conduzem à felicidade. É esse o caminho que Dalai Lama escolheu. Se tivesse se atido aos sentimentos de dor que lhe impediriam ter a determinação necessária para agir, ele preferiu se apoiar nos sentimentos de felicidade, vislumbrando um possível acordo entre os países, que para outros poderia ser impensável.

Mas, será que Dalai Lama está realmente feliz neste momento? Esta é uma ótima pergunta… Nossa felicidade de cada momento é em grande parte determinada por nosso modo de encarar a vida. Na realidade, o fato de nos sentirmos felizes ou infelizes a qualquer dado momento costuma ter muito pouco a ver com nossas condições absolutas mas é, sim, uma função de como percebemos nossa situação, da satisfação que sentimos com o que temos. Se fossemos analisar a situação do Lama neste momento, o fato de ter conseguido influenciar o comprometimento da China nas negociações por maior autonomia ao Tibete, já lhe renderia mais um premio Nobel da Paz, na minha humilde opinião. Claro que o mérito não seria somente dele, mas ele foi (querendo ou não) o grande porta-voz de toda esta evolução dos fatos – mesmo sendo fortemente julgado e ameaçado pelas autoridades chinesas.

E pegando este último gancho sobre julgamento, lembre-se: existe uma fonte de valorização e dignidade a partir da qual podemos nos relacionar com outros seres humanos. Podemos nos relacionar com eles porque ainda somos um ser humano, dentro da comunidade humana. Compartilhamos esse vínculo. E esse vínculo humano é suficiente para dar ensejo a uma sensação de valorização e dignidade. Esse vínculo pode tornar-se uma fonte de consolo na eventualidade de se perder tudo o mais.

Por isso, faça o bem sem olhar a quem, pois nunca se sabe o que acontecerá no dia de amanha! Estamos todos na mesma pueirinha estelar.

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